Brasil

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República Federativa do Brasil

Brasil
Bandeira do Brasil
Armas Nacionais
Bandeira Brasão das Armas
Lema: Ordem e Progresso
Hino nacional: Hino Nacional Brasileiro
Gentílico: brasileiro; brasiliano

Localização do Brasil

Capital Brasília
15°45′S 47°57′O
Cidade mais populosa São Paulo
Língua oficial Português [1]
Governo República federativa
 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
 - Vice-presidente José Alencar Gomes da Silva
 - Presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia Junior
 - Presidente do Senado Federal Garibaldi Alves Filho
 - Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes
 - Número de ministérios 38
Independência De Portugal 
 - Declarada 7 de setembro de 1822 
 - Reconhecida 29 de agosto de 1825 
 - República 15 de novembro de 1889 
Área  
 - Total 8.514.876,599 km² ()
 - Água (%) 0,65
 Fronteira Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela
População  
 - Estimativa de 2008 189,612,814 hab. ()
 - Censo 2000 169.799.170
 - Densidade 22 hab./km² (182º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total $1,835 trilhão USD ()
 - Per capita $11,873 USD (65º)
IDH (2005) 0,800[2] (70º) – elevado
 - Esper. de vida 72,19 anos (78º)
 - Mort. infantil 25,8/mil nasc. (98º)
Moeda Real (BRL)
Fuso horário (UTC−4 até −2, oficial: −3.[3] Hora atual: 00:55 a 02:55)
 - Verão (DST) (UTC-5 até UTC -2 (até 2007/2008)[4])
Clima tropical, subtropical, equatorial e semi-árido
Org. internacionais ONU (OMC), Mercosul, OEA, CPLP, ALADI, OTCA, UNASUL, CI-A, UL
Cód. ISO BRA
Cód. Internet .br
Cód. telef. +55
Website governamental www.brasil.gov.br

Mapa do Brasil

O Brasil (oficialmente República Federativa do Brasil) é uma república federativa formada pela união de 26 estados federados e pelo Distrito Federal. O país conta 5.564 municípios, 189,612,814[5] habitantes, bem como uma área de 8.514.876,599 km², equivalente a 47% do território sul-americano. Em comparação com os demais países do globo, dispõe do quinto maior contingente populacional e da quinta maior área.[6]

Nona maior economia do planeta[7] e maior economia latino-americana, o Brasil tem hoje forte influência internacional, seja em âmbito regional ou global.[8] O País possui entre 15 e 20% da biodiversidade mundial,[9] sendo exemplo desta riqueza a Floresta Amazônica, com 3,6 milhões de quilômetros quadrados.

Faz fronteira a norte com a Venezuela, com a Guiana, com o Suriname e com o departamento ultramarino da Guiana Francesa; ao sul com o Uruguai; a sudoeste com a Argentina e com o Paraguai; a oeste com a Bolívia e com o Peru e, por fim a noroeste com a Colômbia. Os únicos países sul-americanos que não têm uma fronteira comum com o Brasil são o Chile e o Equador. O país é banhado pelo oceano Atlântico ao longo de toda sua costa norte, nordeste, sudeste e sul.

Além do território continental, o Brasil também possui alguns grandes grupos de ilhas no oceano Atlântico como exemplo: Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha (território especial do estado de Pernambuco) e Trindade e Martim Vaz no Espírito Santo. Há também um complexo de pequenas ilhas e corais chamado Atol das Rocas (que pertence ao estado do Rio Grande do Norte).

Apesar de ser o quinto país mais populoso do mundo, o Brasil apresenta uma das mais baixas densidades populacionais. A maior parte da população se concentra ao longo do litoral, enquanto o interior do país ainda hoje é marcado por enormes vazios demográficos.

De colonização portuguesa, o Brasil é o único país de língua portuguesa do continente americano. A religião com mais seguidores é o catolicismo, sendo o país com maior número de católicos nominais do mundo, havendo parcela significativa da população de confissão evangélica, além do expressivo aumento da desfiliação religiosa nos últimos anos. A sociedade brasileira é uma das mais multirraciais do mundo, sendo formada por descendentes de europeus, indígenas, africanos e asiáticos.[10]

Índice

[esconder]

Origem do nome

As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta, mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios.[carece de fontes?]

Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, Frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gandavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" deriva de "pau-brasil", a designação de um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil.

O gentílico "brasileiro" surgiu no século XVI, referindo-se inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil[11]. Passou depois a ser usado informal e costumeiramente para identificar os nascidos na colônia e diferenciá-los dos vindos de Portugal; entretanto foi só em 1824, na primeira constituição brasileira[12], que o gentílico "brasileiro" passou legalmente a designar as pessoas naturais do Brasil. Há ainda a possibilidade do uso do gentílico brasiliano para designar os naturais da República Federativa do Brasil.

Antes de ficar com a designação atual "Brasil" as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terras de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália etc.

Em 1967, com a primeira Constituição da ditadura militar, o Brasil passou a chamar-se República Federativa do Brasil, nome que a Constituição de 1988 conserva até hoje. Antes, na época do império, era Império do Brasil e depois com a proclamação da República: Estados Unidos do Brasil.

História

Ver artigo principal: História do Brasil

Período pré-colonial

Ver artigo principal: Descobrimento do Brasil

Originalmente habitado por ameríndios (aproximadamente cinco milhões), o território que hoje pertence ao Brasil, além do restante da América do Sul, já estava dividido entre duas potências européias, Portugal e Castela antes mesmo de seu descobrimento oficial. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, foi um importante acordo para a definição da futura fronteira do Brasil, que dividia o continente de norte a sul, desde o atual estado do Pará até a cidade de Laguna (Santa Catarina), sendo muito alterada posteriormente, com a expansão portuguesa para o oeste.

Período colonial

Formação do estado brasileiro (em verde escuro) e dos países sul-americanos desde 1700.
Formação do estado brasileiro (em verde escuro) e dos países sul-americanos desde 1700.
Ver artigos principais: Colonização do Brasil e Brasil Colônia.

A colonização jamais realizou os propósitos da empresa mercantil que impulsionou as navegações, montada especificamente para a troca, ela operava sempre na pressuposição da existência de produção local, nas áreas com que mantinha a troca. O problema da colonização apresenta, assim, grandes dificuldades, uma vez que a estrutura econômica portuguesa não estava preparada para enfrentá-lo. A exploração da América devia aparecer, no quadro do tempo, como uma empresa extraordinariamente difícil, em primeiro lugar tinha que atrair pessoas para povoar o continente americano. Nesse sentido, os obstáculos foram tão importantes que durante o século XVI parecem ter-se refletido no controvertido problema dos degredados: tornar o Brasil destino destes parece ter sido uma das formas de vencer as naturais resistências à transplantação para uma terra que não oferecia tão poucas perspectivas. Também havia como obstáculo, penosas condições de trabalho na colônia ao lado das fraquíssimas possibilidades de enriquecimento, mas poderia ser vencido por uma retribuição alta do trabalho, no caso de se deslocarem trabalhadores assalariados.

Oficialmente, o descobridor foi Pedro Álvares Cabral, tendo avistado terra em 21 de abril e chegado à atual Porto Seguro (Bahia) em 22 de Abril de 1500.

A ocupação efetiva se deu a partir de 1532, com a fundação de vila de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, donatário de duas capitanias, mas apenas a de São Vicente prosperara, e mesmo assim, menos que a capitania da Nova Lusitânia (Pernambuco). Todas as demais capitanias não prosperaram.

Insatisfeito, Dom João III decidiu criar um governo central para corrigir os problemas sem abolir as capitanias. Foi enviado Tomé de Sousa como primeiro governador-geral, que em 29 de março de 1549 fundou a cidade de Salvador como capital do Brasil.

Ao longo do século XVI, foi-se ensaiando a escravidão, inicialmente a dos indígenas (que não aceitaram a escravidão e foram massacrados aos milhares pelos portugueses), e a partir das últimas décadas a do africano, pois já havia muitos escravos negros em Portugal. Datam desse século as primeiras tentativas de exploração do interior.

Invasões estrangeiras

O início da colonização portuguesa no território brasileiro foi a primeira invasão estrangeira da história do país, então denominado pelos nativos tupis como Pindorama, que significa "Terra das Palmeiras". A resposta imediata foi de longos embates, entre eles a Guerra dos Bárbaros.

Houve ainda disputas com os franceses, que tentavam se implantar na América pela pirataria e pelo comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra luso-francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses trazidos por Nicolas Durand de Villegagnon, que haviam construído Forte Coligny no Rio de Janeiro, estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa.

O século XVII vê um grande desenvolvimento da agricultura, que usa a mão-de-obra escrava de Negros africanos, com culturas de tabaco e especialmente da cana-de-açúcar na Bahia, Pernambuco, e mais tardiamente no Rio de Janeiro. As expedições chamadas de Entradas e Bandeiras dos paulistas descobriram o ouro, pedras preciosas em Minas Gerais e ervas no sertão. As colônias nordestinas foram ocupadas pelos holandeses em 1624 e entre 1630 e 1654, principalmente sob o comando de Maurício de Nassau, sendo enfim expulsos na batalha de Guararapes. Nessa época foi fundado o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, guerreiro, que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do Nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. Este "submundo" foi finalmente destruído, não sem uma resistência heróica e violenta, por bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho, tendo seu líder sido morto e decapitado (segundo a tradição não-oficial, Zumbi teria conseguido escapar).

No século XVIII, ainda que a produção do açúcar não tenha perdido sua importância, as atenções da Coroa se concentravam na região das Minas Gerais onde se tinha descoberto o ouro. Os portugueses apoderaram-se de toneladas de ouro brasileiro neste processo. Este, entretanto, esgota-se antes do fim do século.

Revoltas coloniais

Desde o início da colonização portuguesa o Brasil foi palco de revoltas, da resistência das nações indígenas à luta coletiva dos africanos escravizados por meio da organização dos quilombos, representada principalmente pelo Quilombo dos Palmares, que lidou com os ataques da metrópole desde sua fundação, em 1580, até seu fim, com o assassinato de Zumbi.

No final do século XVII, a insatisfação dos colonos acarreta no surgimento dos primeiros movimentos contra a Coroa Portuguesa. Parte dessas rebeliões foi gerada por insatisfação econômica, como foi o caso da Revolta de Beckman, a Guerra dos Mascates e a Guerra dos Emboabas, conflito entre 1707 e 1709 que colocou em oposição os bandeirantes paulistas e todos os demais exploradores, denominados por aqueles de "emboabas", quanto à posse das Minas Gerais. Porém, dois movimentos ficaram marcados por terem a intenção de proclamar a independência: a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.

"Tiradentes Esquartejado", quadro de Pedro Américo (1893).
"Tiradentes Esquartejado", quadro de Pedro Américo (1893).

A Inconfidência Mineira foi um movimento que partiu da elite de Minas Gerais. Com a decadência da mineração na segunda metade do século XVIII, tornou-se difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa Portuguesa. Além do mais, o governo português pretendia promulgar a derrama, um imposto que exigia que toda a população, inclusive quem não fosse minerador, contribuísse com a arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Os colonos se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.

Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do grupo, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes. A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas idéias iluministas da França e da recente independência norte-americana. Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os inconfidentes para o governo, os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento. Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o cruel poder de Portugal.

A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia, com grande participação de negros, mulatos e alfaiates, por isso também é conhecida como Revolta dos Alfaiates. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma República na Bahia. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, 49 foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. Mais de 30 foram presos e processados. Quatro participantes foram condenados à forca e os restos de seus corpos foram espalhados pela Bahia para assustar a população.

Sede do governo português

Os jardins do Ipiranga, em São Paulo, construído na região onde foi proclamada a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, em 1822. Ao fundo, pode-se ver o Museu do Ipiranga.
Os jardins do Ipiranga, em São Paulo, construído na região onde foi proclamada a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, em 1822. Ao fundo, pode-se ver o Museu do Ipiranga.

Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão Bonaparte obrigam a coroa portuguesa a procurar abrigo no Brasil. Dom João VI chega ao Rio de Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma aliança defensiva feita com a Inglaterra (que deu proteção aos navios portugueses no caminho). No mesmo ano os portos brasileiros são abertos às nações amigas, configurando, de fato, um fim à condição de colônia. Com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves governado a partir do Rio de Janeiro, o Brasil passa a ser a única colônia do mundo a se tornar, momentaneamente, metrópole.

Isso irritou setores da sociedade portuguesa da época, e culminou na Revolução liberal do Porto, que eclode em 1820. Os liberais exigiam o regresso de Dom João VI para Portugal e a volta do Brasil à condição de colônia. Em 1821, Dom João VI retorna para Portugal e deixa seu filho, Pedro, como regente. Embora rei, D. João perde, com a Revolução, a condição de monarca absolutista, possuindo um poder simbólico. D. Pedro é convocado pelos liberais a voltar para Portugal, o que iria deixar o Brasil novamente na condição de colônia. Ele rejeita retornar (Dia do Fico) e passa uma lei na qual qualquer decisão tomada a partir de Lisboa que afetasse todo o Reino Unido deveria ser por ele ratificada a fim de valer no Brasil. Uma vez que Portugal já era então uma metrópole fraca e decadente, não mais poderiam impedir a independência do Brasil. Finalmente, a 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I declara a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga.

Período imperial

Ver artigo principal: Brasil Império

Após a separação de Portugal, ou seja, fim do Brasil Colônia (1500-1822), datado oficialmente em 7 de setembro de 1822, o Brasil torna-se uma monarquia constitucional, Brasil Império (1822-1889). Pedro I retorna a Portugal para assegurar que sua filha assumisse o trono português. Após um período regencial, D. Pedro II, aos catorze anos de idade, é coroado o segundo imperador do Brasil. A economia, que teve como base principal a agricultura – tornando-se o café o principal produto exportador do Brasil durante o reinado de Pedro II –, apresentou uma expansão de 900%[13]. Nesse período, foi construída uma ampla rede ferroviária, (o Brasil foi o segundo país latino-americano a implantar este tipo de transporte e, durante a Guerra do Paraguai, foi possuidor da quarta[14] maior marinha de guerra do mundo). A mão-de-obra escrava, por pressão interna de oligarquias paulistas, mineiras e fluminenses, manteve-se vigente até o ano de 1888, quando caiu na ilegalidade pela Lei Áurea. Entretanto, havia-se encetado um gradual processo de decadência em 1850, ano do fim do tráfico negreiro, por pressão da Inglaterra, além de que o Imperador era contra a escravidão.

A partir de 1870, assistiu-se ao crescimento dos movimentos republicanos no Brasil. A falta de mão-de-obra em conseqüência da libertação dos escravos foi solucionada com a atração de centenas de milhares de imigrantes, em sua maioria italianos e alemães. Em 1889, um golpe militar tirou o cargo de Primeiro Ministro do Visconde de Ouro Preto, e, por incentivo de republicanos como Benjamin Constant Botelho Magalhães, o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e enviou ao exílio a Família Imperial. Diversos fatores contribuíram para a queda da Monarquia, dentre os quais: a insatisfação da elite agrária com a abolição da escravatura, o descontentamento dos cafeicultores do Oeste Paulista e dos militares, que almejavam mais poder, e as interferências do Imperador em assuntos da Igreja. Não houve nenhuma participação popular na proclamação da República. O povo brasileiro apoiava o Imperador e, para poupar conflitos, não houve violência e a Família Imperial pôde exilar-se na Europa em segurança.[15][16]

Primeira República - Estados Unidos do Brasil

Ver artigo principal: República Velha
 Primeira Bandeira Republicana, criada por Ruy Barbosa, usada entre 15 e 19 de novembro de 1889.
Primeira Bandeira Republicana, criada por Ruy Barbosa, usada entre 15 e 19 de novembro de 1889.

A República foi proclamada no dia 15 de novembro de 1889. Dominada por oligarquias estaduais que se sustentavam através de eleições que necessariamente se alternavam nos cargos de maior poder os paulistas e mineiros, por isso a República Velha (1889-1930) tem como suas maiores marcas a política do café-com-leite, que começa em 1894, e as mudanças no federalismo no Brasil – o federalismo brasileiro até hoje se apresenta numa versão muito diferente do federalismo estadunidense, em que é baseado.

Era Vargas

Ver artigo principal: Era Vargas

Em 1930, Getúlio Vargas comanda uma revolução que o coloca no poder, acabando com a República Velha. Em 1931, derruba a Constituição brasileira, reunindo enormes poderes e despertando a indignação dos opositores, principalmente oligarcas e a classe média paulista, que acabam por iniciar a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1934, sob pressão, promulga uma Constituição democrática. Porém, em 1937 alegando uma conspiração comunista para a tomada do poder, conhecida como Plano Cohen, Vargas outorga uma nova Constituição, fechando o Congresso Nacional, restringindo liberdades individuais, instaurando uma ditadura de inspirações fascistas que durou até 1945. Este período ditatorial da Era Vargas (1930-1945) é chamado Estado Novo.

República Populista

Juscelino Kubitschek, o JK, símbolo do populismo brasileiro.
Juscelino Kubitschek, o JK, símbolo do populismo brasileiro.

Após a derrubada da ditadura getulista e a promulgação de uma nova Constituição Federal (1946) até o Golpe Militar de 1964, o país vive a fase mais democrática que já experimentara - Populismo (1946-1964) - embora abalada por fatos como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Vargas havia assumido em 1951 após ter vencido eleição direta para presidente.

Em janeiro de 1956, tomou posse o novo presidente Juscelino Kubitschek, ex-governador de Minas Gerais, que inicia um período de intensa industrialização do país e a construção da nova capital federal, Brasília.

Em 1961 assume a presidência da república o udenista Jânio Quadros, tendo como vice-presidente o petebista João Goulart (havia eleições para presidente e para vice-presidente em duas chapas distintas).

Com a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 e após um período de instabilidade institucional e da campanha que ficou conhecida como "campanha da legalidade" patrocinada pelo cunhado de João Goulart, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, Jango assume a presidência (primeiro em um regime parlamentarista, depois a partir de 1963 em um regime presidencialista) e propõe um conjunto de reformas que ficaram conhecidas como as "reformas de base", que incluíam distribuição de renda, reforma agrária e outras medidas, consideradas, pela oposição, "comunizantes" . Iniciara-se um período de instabilidade política e atritos entre os diversos interesses da direita e da esquerda.

Ditadura Militar

O Marechal Castello Branco, que impôs a ditadura no Brasil.
O Marechal Castello Branco, que impôs a ditadura no Brasil.

O golpe militar de 31 de março de 1964 derruba João Goulart, esfria as ambições pessoais e partidárias de ambos os lados e instaura um regime de exceção (ditadura militar) que perdurará oficialmente até 1985. O regime teve cinco presidentes que, embora civis no momento em que exerciam a magistratura, eram oficiais-generais da reserva (em ordem cronológica): marechais Castelo Branco e Artur da Costa e Silva, e generais Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Sob a influência ou coordenação de técnicos como Eugênio Gudin, Roberto Campos e Delfim Netto, o regime militar levou a cabo reformas econômicas, fiscais e estruturais, curiosamente adotando bandeiras semelhantes às de João Goulart, como a reforma agrária (cujo projeto, de Roberto Campos, foi combatido pela UDN) e a nacionalização das empresas de infra-estrutura.

Inicialmente entusiasta do regime militar em conseqüência do progresso econômico, principalmente para a classe média, e também devido à manipulação através da censura da mídia e da propaganda oficial, a sociedade opôs-se posteriormente ao regime autoritário. Os exageros do sistema de policiamento político, epitomados pela morte do jornalista e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) Vladimir Herzog levaram o próprio presidente Geisel a adotar posição enérgica contra a "linha dura".

Nas eleições de 1976 a oposição teve expressiva votação, o que levou a uma " lenta, segura e gradual" abertura política no Brasil, com a volta de vários exilados políticos, o fim da censura prévia à imprensa, a anistia (dita "ampla, geral e irrestrita") e o movimento, na prática inútil, porém de grande significado simbólico, as Diretas-Já, que reuniu milhões de pessoas em comícios no ano de 1984. Comícios que foram levados ao ar, ao vivo, pelas emissoras de TV do país. Curiosamente, a maior emissora de TV do Brasil, a Rede Globo de Televisão, foi a única a ignorar completamente o movimento, sem fazer qualquer referência aos comícios em seus noticiários. Somente vindo a fazê-lo após o então presidente do Brasil, General João Figueiredo tratar publicamente do assunto.

Nova República

Em 1985, concorrendo com o candidato situacionista Paulo Maluf, o oposicionista Tancredo Neves ganhou uma eleição indireta no Colégio Eleitoral. É o fim da ditadura militar. O período pós-ditadura militar é conhecido como Nova República. Tancredo não chega a tomar posse, vindo a falecer vítima de infecção hospitalar contraída na ocasião de uma cirurgia. Seu vice-presidente, José Sarney assume a presidência da república. Sob seu governo promulga-se a Constituição de 1988, que institui um Estado democrático e uma república presidencialista, confirmada em plebiscito em 21 de Abril de 1993.

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito pelo voto popular, após a ditadura. Após denúncias de corrupção, sofreu um impeachment.
Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito pelo voto popular, após a ditadura. Após denúncias de corrupção, sofreu um impeachment.

Em 1989, o ex-governador do estado de Alagoas Fernando Collor, praticamente desconhecido no resto do país, por força de uma campanha agressiva baseada na promessa de combate à corrupção (combate aos marajás), da construção de uma imagem de líder jovem e dinâmico, que vendia uma imagem de político de direita progressista (seu partido era o inexpressivo Partido da Reconstrução Nacional) e com apoio dos setores que temiam a vitória do candidato do PT, Luiz Inácio da Silva, é eleito presidente, nas primeiras eleições diretas para o cargo desde 1960. Entretanto, após dois anos, o próprio irmão do presidente, Pedro Collor de Mello, faz denúncias públicas de corrupção através de um sistema de favorecimento montado pelo tesoureiro da campanha eleitoral, PC Farias. Sem qualquer resistência do Executivo, o Congresso Nacional instaura uma CPI cujas conclusões levam ao pedido de afastamento do presidente (impeachment). Durante o processo, a Rede Globo de Televisão produz e transmite Anos rebeldes, de Gilberto Braga, uma série dramática ambientada nas manifestações de 1968, a qual serve de inspiração para o movimento dos caras-pintadas, manifestações de estudantes e intelectuais que, do alto de carros-de-som, clamavam por justiça e por um Brasil melhor. Fernando Collor de Mello renunciou antes de ter seu impedimento aprovado pelo Congresso, mas mesmo assim teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, embora a lei em vigor na época previsse a suspensão do processo no caso de renúncia antes de sua conclusão. Collor mudou-se em seguida para Miami. A Justiça o absolveu de todos os processos movidos contra ele por sua gestão. PC Farias evadiu-se do país durante alguns anos e, após enviuvar, retornou a Alagoas mas, em 1996, foi encontrado em seu quarto de dormir, morto por ferimento de arma de fogo.

Collor de Mello foi sucedido na presidência pelo vice-presidente Itamar Franco em cuja administração é adotado o Plano Real, um plano econômico inédito no mundo executado pela equipe do então ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso (FHC). Percebendo que a hiperinflação brasileira era um fenômeno emocional de separação da unidade monetária de troca da unidade monetária de contas, o plano concentrou todos os índices de reajuste de preços existentes em um único índice, a Unidade Real de Valor, ou URV. Esta, posteriormente, foi transformada em moeda corrente, o real, controlando assim o maior problema econômico do Brasil: a inflação.[17]

Com o sucesso do Plano Real, Cardoso, centro-esquerda, concorre e é eleito presidente em 1994, conseguindo a reeleição em 1998. No primeiro mandato de FHC é aprovada à emenda constitucional que permite à reeleição em cargos eletivos do Legislativo e Executivo. Fernando Henrique Cardoso também foi o responsável por privatizar grandes empresas estatais como a Telebrás e a Companhia Vale do Rio Doce, por conseqüência de uma política neoliberal adotada pelo governo deste sociólogo.

Após os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002 elege-se presidente da República o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do tradicionalmente esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), e dá continuidade à ortodoxia econômica que continua sendo executada por este governo e inicia diversos projetos sociais. Em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito presidente da República.

Política

Ver artigo principal: Política do Brasil

De acordo com a Constituição de 1988, o Brasil é uma república federativa presidencialista. A forma de Estado foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito Positivo. O federalismo no Brasil é mais centralizado do que o federalismo estadunidense; os estados brasileiros tem menos autonomia do que os estados norte-americanos, especialmente quanto a criação de leis.

Os poderes são divididos em Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, totalmente independentes e com igual peso político.

Poder Executivo

O Poder Executivo é exercido por um Presidente da República, que acumula as funções de chefe de Estado e chefe de Governo, eleito quadrienalmente, com possibilidade de apenas um reeleição consecutiva.

Poder Legislativo

Concomitantemente às eleições presidenciais, vota-se para o Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo, dividido em duas casas parlamentares: a Câmara dos Deputados, que têm mandato de quatro anos, e o Senado Federal, cujos membros possuem mandatos de oito anos e elegem-se em um terço e dois terços alternadamente a cada quatro anos. Adota-se o sistema majoritário para a eleição dos senadores e o proporcional para os deputados. Os estados mais populosos tem direito a eleger uma quantidade maior de deputados federais, entretanto as regras dão um peso relativo muito maior aos estados menos populosos. Além disto, o número de deputados é, limitado a no mínimo oito e no máximo setenta para cada estado; e há três senadores representando cada unidade da federação (atualmente 27), independentemente da população.

Poder Judiciário

Finalmente, há o Poder Judiciário, cuja instância máxima é o Supremo Tribunal Federal, responsável por interpretar a Constituição Federal e composto de onze ministros indicados pelo presidente sob aprovação do Senado, dentre indivíduos de renomado saber jurídico. A composição dos ministros do Supremo Tribunal Federal não é completamente renovada a cada mandato presidencial: o presidente somente indica um novo ministro quando um deles se aposenta ou vem a falecer.

Os tribunais se organizam em diversos ramos separados por competências, havendo um para a justiça comum, e outros para justiça militar, trabalhista (relações entre empregados e empregadores) e eleitoral (organização e fiscalização de eleições). Assuntos de justiça comum que envolvem interesses da União devem ser julgados em tribunais federais. Os estados possuem seus tribunais para a justiça comum, organizados em uma primeira instância de julgamento por um juiz, e uma segunda instância de julgamento colegiado (em grupo) por um tribunal.

Abaixo do Supremo Tribunal Federal, que só atua em matérias de interesse constitucional, as instâncias máximas são o Superior Tribunal de Justiça (para a justiça comum), Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Superior Eleitoral e o Superior Tribunal Militar.

Organização política e administrativa

Ver artigo principal: unidades federativas do Brasil

O Brasil é uma Federação constituída pela união indissolúvel de 26 estados-membros, um Distrito Federal e municípios[18].

Os estados e municípios possuem natureza de pessoa jurídica de direito público, portanto, como qualquer pessoa em território nacional (cidadão ou estrangeiro), possuem direitos e deveres estabelecidos pela Constituição Brasileira de 1988. Estados e municípios possuem auto-administração, autogoverno e auto-organização, ou seja, elegem seus líderes e representantes políticos e administram seus negócios públicos sem interferência de outros municípios, estados ou da União. De modo a permitir a auto-administração, a Constituição Federal define quais tributos podem ser coletados por cada unidade da federação e como as verbas serão distribuídas entre eles.

Estados e municípios, atendendo ao desejo de sua população expresso em plebiscitos, podem dividir-se ou se unir.

Unidades da Federação

Estados

Cada estado possui sua própria Constituição Estadual.

O Poder Executivo é exercido por um governador eleito quadrienalmente.

Cada estado possui uma Assembléia Legislativa unicameral com deputados estaduais que votam as leis estaduais. As Assembléias Legislativas fiscalizam as atividades do Poder Executivo dos estados e municípios. Para isto, possuem um Tribunal de Contas com a finalidade prover assessoria quanto ao uso de verbas públicas. Apenas 3 municípios (São Paulo, Rio de Janeiro) possuem Tribunais de Contas separados e ligados às suas Câmaras de Vereadores.

O Poder Judiciário é exercido por tribunais estaduais de primeira e segunda instância que cuidam da justiça comum.

Distrito Federal

O Distrito Federal tem características comuns aos estados-membros e aos municípios. Ao contrário dos estados-membros, não pode ser dividido em municípios. Também não possui tribunais próprios sendo este poder exercido pelo Judiciário Federal. Por outro lado, pode arrecadar tributos atribuídos como se fosse um estado e, também, como município.

Municípios

Ver artigo principal: municípios do Brasil

Os municípios são as menores unidades autônomas da Federação.

Cada município tem sua própria Lei Orgânica que define a sua organização política, mas limitada pela Constituição Federal.

Os municípios dispõem apenas do poder Executivo, exercido pelo prefeito, e Legislativo, sediado na câmara municipal (também chamada de câmara de vereadores).

O Poder Judiciário organiza-se em forma de comarcas que abrangem vários municípios ou parte de um município muito populoso. Portanto, não há Poder Judiciário específico de cada município.

Há cerca de 5564 municípios em todo território nacional, alguns com população maior que a de vários países do mundo (cidade de São Paulo com cerca de 10 milhões de habitantes), outros com menos de 1000 habitantes, alguns com área maior do que vários países no mundo (Altamira no Pará é quase duas vezes maior que Portugal), outros com menos de 4 km2. O estado-membro com menos municípios é Roraima) com apenas quinze, enquanto o estado de (Minas Gerais) possui 853 ou mais municípios.

As 20 maiores cidades do Brasil
Cidade Estado População Cidade Estado População
Centro empresarial Nações Unidas, São Paulo
São Paulo
Centro financeiro, Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
Elevador Lacerda, Salvador
Salvador
1 São Paulo São Paulo 10.990.249 11 Belém Pará 1.424.124
2 Rio de Janeiro Rio de Janeiro 6.161.047 12 Guarulhos São Paulo 1.279.202
3 Salvador Bahia 2.948.733 13 Goiânia Goiás 1.265.394
4 Brasília Distrito Federal 2.557.158 14 Campinas São Paulo 1.056.644
5 Fortaleza Ceará 2.473.614 15 São Luís Maranhão 986.826
6 Belo Horizonte Minas Gerais 2.434.642 16 São Gonçalo Rio de Janeiro 982.832
7 Curitiba Paraná 1.828.092 17 Maceió Alagoas 924.143
8 Manaus Amazonas 1.709.010 18 Duque de Caxias Rio de Janeiro 864.392
9 Recife Pernambuco 1.549.980 19 Nova Iguaçu Rio de Janeiro 855.500
10 Porto Alegre Rio Grande do Sul 1.430.220 20 São Bernardo do Campo São Paulo 801.580
Fonte: IBGE, estimativa populacional 2008[19]
Guarulhos e São Bernardo do Campo fazem parte da Região Metropolitana de São Paulo.
Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo fazem parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.


Divisões administrativa sem caráter político

Ver artigo principal: Regiões do Brasil

As unidades da federação são agrupadas em regiões com o propósito de ajudar as interpretações estatísticas, implantar sistemas de gestão de funções públicas de interesse comum ou orientar a aplicação de política públicas dos governos federal e estadual. As regiões, mesmo quando definidas por lei, não possuem personalidade jurídica própria, nem os cidadãos elegem representantes da região. Não há, portanto, qualquer tipo de autonomia política das regiões brasileiras como há em outros países.

Regiões

Os estados brasileiros são agrupados em cinco regiões geográficas: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul.

Essa divisão tem caráter legal e foi proposta, na sua primeira forma, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1969. Além da proximidade territorial, o IBGE levou em consideração apenas aspectos naturais na divisão do país, como clima, relevo, vegetação e hidrografia; por essa razão, as regiões também são conhecidas como "regiões naturais do Brasil". Há uma pequena exceção com relação à região Sudeste, que foi criada levando-se parcialmente em conta aspectos humanos (desenvolvimento industrial e urbano).

Há também uma outra forma de regionalização não-oficial criada por especialistas em geografia, na qual o Brasil é dividido em três complexos geoeconômicos, chamados de Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Essas regiões não se baseiam em fronteiras mas sim os aspectos histórico-econômicos.

Regiões metropolitanas

No Brasil, uma região metropolitana deve ser definida por lei estadual, embora uma conurbação seja também chamada, informalmente, de região metropolitana.

A criação de uma região metropolitana por lei tem como objetivo principal a viabilização de sistemas de gestão de funções públicas de interesse comum dos municípios conurbados.

Atualmente existem 23 regiões metropolitanas no Brasil, das quais 18 possuem mais de um milhão de habitantes.

Região metropolitana Estado População Região metropolitana Estado População
Região Metropolitana de São Paulo
Grande São Paulo
Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Grande Rio de Janeiro
Região Metropolitana de Belo Horizonte
Grande Belo Horizonte
1 São Paulo São Paulo 19.223.897 10 Belém Pará 2.043.537
2 Rio de Janeiro Rio de Janeiro 11.571.617 11 Goiânia Goiás 2.007.868
3 Belo Horizonte Minas Gerais 4.939.053 12 Manaus Amazonas 1.933.327
4 Porto Alegre Rio Grande do Sul 3.959.807 13 Vitória Espírito Santo 1.624.837
5 Recife Pernambuco 3.730.114 14 Baixada Santista São Paulo 1.606.863
6 Salvador Bahia 3.677.060 15 Natal Rio Grande do Norte 1.255.409
7 Fortaleza Ceará 3.435.456 16 São Luís Maranhão 1.211.270
8 Curitiba Paraná 3.172.357 17 Maceió Alagoas 1.111.678
9 Campinas São Paulo 2.633.523 18 João Pessoa Paraíba 1.049.290
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): estimativas · contagem populacional 2007[20]
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte não se inclui o colar metropolitano.
A Região Metropolitana do Recife inclui o município de Goiana, anexado em dezembro de 2006.
A Região Metropolitana de Salvador inclui os municípios de Mata de São João e São Sebastião do Passé, adicionados em 2008.


RIDE

Região integrada de desenvolvimento econômico (ou RIDE) são as regiões metropolitanas brasileiras que se situam em mais de uma unidade federativa. Elas são criadas por uma legislação federal específica, que delimita os municípios que a integram e fixa as competências assumidas pelo colegiado dos mesmos.

Geografia

Ver artigos principais: Geografia do Brasil e Relevo brasileiro.


A geografia é diversificada, com paisagens semi-áridas, montanhosas, de planície tropical, subtropical, com climas variando do seco sertão nordestino ao chuvoso clima tropical equatorial, ao clima mais ameno da região Sul, com clima subtropical e geadas freqüentes. No Brasil localizam-se superlativos da geografia mundial, como o Pantanal Sul-Mato-Grossense, uma das maiores áreas alagadas do mundo, considerada pela UNESCO como reserva da biosfera; a ilha do Bananal, no rio Araguaia, a maior ilha fluvial do mundo; a ilha do Marajó, maior ilha fluviomarinha do mundo; Anavilhanas, maior arquipélago fluvial do mundo, localizado no rio Amazonas, maior em volume de água e mais extenso de todo o globo terrestre. Como comparação, o volume de água do Rio Amazonas corresponde ao triplo do segundo rio, o rio Congo, na África. O país possui, também, a maior reserva de água doce do planeta, servindo como exemplo a Bacia Amazônica e o Aqüífero Guarani.

Clima

Ver artigo principal: Clima do Brasil

Em conseqüência de fatores variados, a diversidade climática do território brasileiro é muito grande. Dentre eles, destaca-se a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenciações climáticas regionais. As massas de ar que interferem mais diretamente são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.

O Brasil apresenta o clima super-úmido com características diversas, tais como o super-úmido quente (equatorial), em trechos da região Norte; super-úmido mesotérmico (subtropical), na região Sul do Brasil e sul de São Paulo, e super-úmido quente (tropical), numa estreita faixa litorânea de São Paulo ao Rio de Janeiro[carece de fontes?], Vitória[carece de fontes?], sul da Bahia até Salvador, sul de Sergipe e norte de Alagoas.

O clima úmido, também com várias características: clima úmido quente (equatorial), no Acre, Rondônia, Roraima, norte de Mato Grosso, leste do Amazonas, Pará, Amapá e pequeno trecho a oeste do Maranhão; clima úmido subquente (tropical), em São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul, e o clima úmido quente (tropical), no Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sudoeste e uma estreita faixa do oeste de Minas Gerais, e uma faixa de Sergipe e do litoral de Alagoas à Paraíba.

O clima semi-úmido quente (tropical), corresponde à área sul do Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, sul do Maranhão, sudoeste do Piauí, Minas Gerais, uma faixa bem estreita a leste da Bahia, a oeste do Rio Grande do Norte e um trecho da Bahia meridional.

O clima semi-árido, com diversificação quanto à umidade, correspondendo a uma ampla área do clima tropical quente. Assim, tem-se o clima semi-árido brando, no nordeste do Maranhão, Piauí e parte sul da Bahia; o semi-árido mediano, no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e interior da Bahia; o semi-árido forte, ao norte da Bahia e interior da Paraíba, e o semi-árido muito forte, em pequenas porções do interior da Paraíba, de Pernambuco e norte da Bahia.

Apesar de variado, o clima no Brasil é relativamente estável, sem a ocorrência de grandes catástrofes meteorológicas, entretanto, um raro ciclone ocorreu em 2004 entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ficando conhecido como Furacão Catarina.

A maior temperatura registrada no Brasil foi 44,7ºC em Bom Jesus, Piauí, em 21 de novembro de 2005[21], superando o recorde de Orleans, Santa Catarina, de 44,6ºC, de 6 de janeiro de 1963. Já a menor temperatura registrada foi de -17,8°C no Morro da Igreja, em Urubici, Santa Catarina, em 29 de junho de 1996[22], superando o recorde do município de Caçador, no mesmo estado, de -14ºC, no inverno de 1975.

É interessante salientar que os municípios catarinenses de Urubici (detentor do atual recorde nacional de temperatura mais baixa, no Morro da Igreja) e Orleans (antigo detentor do recorde de temperatura mais alta no Brasil) fazem fronteira entre si.

Hidrografia

Ver artigo principal: Hidrografia do Brasil

O Brasil abriga a maior rede hidrográfica do mundo. Seus rios pertencem a diversas bacias hidrográficas. As maiores são:

Os rios Paraná, Paraguai e Uruguai vão formar o Rio da Prata (Río de la Plata, em espanhol) por isso se diz que eles formam a Bacia Platina.

A Bacia Amazônica é a maior do Brasil. Nela existem cerca de 1.100 rios. O principal é o rio Amazonas, que nasce nos Andes peruanos. Ao entrar no Brasil ele se chama rio Solimões até receber o rio Negro, quando passa a chamar-se Amazonas. O Canal do Norte, no lado ocidental do arquipélago do Marajó, é considerado como sua foz. Apesar de próxima ao encontro das águas do rio Negro com o Solimões, a cidade de Manaus fica às margens do Negro, o que faz com que a cidade de Macapá seja considerada a única capital brasileira banhada pelo rio Amazonas. Macapá é cortada pela linha do Equador, com um monumento de onde se pode observar o fenômeno do Equinócio.

Geologia

Ver artigo principal: Geomorfologia do Brasil
Localização detalhada.
Localização detalhada.

O Brasil possui terrenos geológicos muito antigos e bastante diversificados, dada sua extensa área territorial. Não existem, entretanto, cadeias orogênicas modernas, datadas do Mesozóico, como os Andes, os Alpes e o Himalaia. Eis a razão pela qual a modéstia de altitudes é uma das características principais da geomorfologia brasileira. Raros são os pontos em que o relevo ultrapassa dois mil metros de altitude, sendo que as maiores altitudes isoladas encontram-se na fronteira norte do país, enquanto as maiores médias regionais estão na região Sudeste, notadamente nas fronteiras de Minas Gerais e Rio de Janeiro. As rochas mais antigas integram áreas de escudo cristalino, representadas pelos crátons: Amazônico, Guianas, São Francisco, Rio de La Plata, acompanhado por extensas faixas móveis proterozóicas. Da existência destes crátons advém outra característica geológica muito importante do território: sua estabilidade geológica.

São incomuns no Brasil os grandes abalos sísmicos ou terremotos. Também não existe atividade vulcânica expressiva. As partes mais acidentadas do relevo são resultantes de dobramentos ou arqueamentos antigos da crosta, datados do proterozóico (faixas móveis). As áreas de coberturas sedimentares estão representadas por três grandes bacias sedimentares: Bacia Amazônica, Bacia do Paraná e Bacia do Parnaíba, todas apresentando rochas de idade paleozóica.

Meio ambiente

A Onça-pintada é um mamífero típico da Amazônia brasileira
A Onça-pintada é um mamífero típico da Amazônia brasileira

O Brasil é o país de maior biodiversidade do planeta: uma entre cada cinco espécies encontram-se nele. Foi o primeiro signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), e é considerado megabiodiverso – o país é responsável por aproximadamente 14% da biota mundial – pela Conservation International (CI).

A biodiversidade pode ser qualificada pela diversidade em ecossistemas, em espécies biológicas, em endemismos e em patrimônio genético.

Devido a sua dimensão continental e à grande variação geomorfológica e climática, o Brasil abriga seis biomas, 49 ecorregiões, já classificadas, e incalculáveis ecossistemas. Os biomas são: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Caatinga.

A biota terrestre possui a flora mais rica do mundo, com até 56.000 espécies de plantas superiores já descritas; mais de 3.000 espécies de peixes de água doce; 517 espécies de anfíbios; 1.677 espécies de aves; e 530 espécies de mamíferos; pode ter até 10 milhões de insetos.

Por esse motivo, é grande a pressão internacional para que o Brasil preserve seu meio-ambiente, tarefa na qual o país em muito tem falhado. Exemplos são a destruição de seus biomas, como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. Aquele que é considerado o maior desastre ecológico da história do Brasil, no entanto, deu-se no ano de 1998, quando do enchimento do reservatório da Usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), no Mato Grosso do Sul, pela Companhia Energética de São Paulo. A usina, considerada a terceira mais ineficiente do mundo, possui o maior lago artificial do Brasil, o que custou a destruição de um dos mais ricos ecossistemas do Brasil e do mundo, o desalojamento de milhares de famílias e a morte por afogamento de dezenas de espécies animais em extinção, uma vez que a CESP não realizou seu salvamento. Também desapareceram várias espécies vegetais em extinção e a maior e melhor reserva de argila da América do Sul.

Antártica

Nos últimos anos o Brasil demonstrou interesse no continente Antártico, instalando lá a Base Antártica Comandante Ferraz.

Demografia

Ver artigo principal: Demografia do Brasil

Raças e etnias

A população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil, sobretudo entre 1820 e 1970. A maior parte dos imigrantes era de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses.[23]

Cor/Raça (2006)[24]
Branca 49,7%
Parda 42,6%
Preta 6,9%
Amarela 0,5%
Indígena 0,3%

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica o povo brasileiro entre cinco grupos: branco, preto, pardo, amarelo e indígena, baseado na cor da pele ou raça. A última PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios) encontrou o Brasil sendo composto por 93.096 milhões de brancos, 79.782 milhões de pardos, 12.908 milhões de pretos, 919 mil amarelos e 519 mil indígenas.

Comparado a outros censos realizados nas últimas duas décadas, pela primeira vez o número de brancos não ultrapassou os 50% da população. Em 2000, os brancos eram 53,7% no censo. Em comparação, o número de pardos cresceu de 38,5% para 42,6% e o de pretos de 6,2% para 6,9%.[25] De acordo com o IBGE, essa tendência se deve ao fato da revalorização da identidade histórica de grupos raciais historicamente discriminados.[24] A composição étnica dos brasileiros não é uniforme por todo o País. Devido ao largo fluxo de imigrantes europeus no Sul do Brasil no século XIX, a maior parte da população é branca: 79,6%[26]. No Nordeste, em decorrência do grande número de africanos trabalhando nos engenhos de cana-de-açúcar, o número de pardos e pretos forma a maioria, 62,5% e 7,8%, respectivamente[27]. No Norte, largamente coberto pela Floresta Amazônica, a maior parte das pessoas é de cor parda (69,2%), devido ao importante componente indígena[28]. No Sudeste e no Centro-Oeste as porcentagens dos diferentes grupos étnicos são bastante similares.

De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, racismo é um crime inafiançável e condenável à prisão.[29]

Idioma nacional

Países e regiões onde a língua portuguesa é falada ou possui status oficial.
Países e regiões onde a língua portuguesa é falada ou possui status oficial.

A língua oficial do Brasil é o português, idioma que é falado e escrito pela imensa maioria da população. O português é a língua usada nas instituições de ensino, nos meios de comunicação e nos negócios. O Brasil é o único país de língua portuguesa das Américas.

O idioma falado e escrito no Brasil é parcialmente diferente do utilizado em Portugal e nos outros países lusófonos. Em razão das diferenças geográficas e culturais entre Brasil e Portugal, e também das diferentes políticas lingüísticas construídas pelos dois países ao longo dos anos, o português brasileiro e o português europeu não evoluíram de forma uniforme. Há muitas divergências entre as normas cultas das duas variantes da língua, sobretudo no que se refere à fonética, à ortografia e ao sistema pronominal. Mesmo assim, tais diferenças não comprometem o entendimento mútuo.

Há ainda diversas variações dialetais internas ao português brasileiro, que se ligam sobretudo a diferenças regionais e sociais.

A Linguagem Brasileira de Sinais também é considerada um meio de comunicação legal no país.

Idiomas indígenas e de imigrantes

Na época do Descobrimento, é estimado que falavam-se mais de mil idiomas no Brasil. Atualmente, esses idiomas estão reduzidos a 180 línguas. Das 180 línguas, apenas 24, ou 13%, têm mais de mil falantes; 108 línguas, ou 60%, têm entre cem e mil falantes; enquanto que 50 línguas, ou 27%, têm menos de 100 falantes e metade destas, ou 13%, têm menos de 50 falantes, o que mostra que grande parte desses idiomas estão em sério risco de extinção.

Hotel em estilo alemão em Gramado, no Rio Grande do Sul: na região, o dialeto alemão é uma das principais formas de comunicação.
Hotel em estilo alemão em Gramado, no Rio Grande do Sul: na região, o dialeto alemão é uma das principais formas de comunicação.

Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses, que adotaram um idioma misto baseado na língua tupi. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como língua geral. Todavia, no século XVIII, a língua portuguesa tornou-se oficial do Brasil, o que culminou no quase desaparecimento dessa língua comum.

Com o decorrer dos séculos, os índios foram exterminados ou aculturados pela ação colonizadora e, com isso, centenas de seus idiomas foram extintos. Atualmente, os idiomas indígenas são falados sobretudo no Norte e Centro-Oeste. As línguas mais faladas são do tronco Tupi-guarani.

Além das dezenas de línguas autóctones, dialetos de origem alóctones são falados em colônias rurais mais isoladas do Brasil meridional, sobretudo o hunsrückisch e o talian (ou vêneto brasileiro), de origens alemã e italiana, respectivamente[30][31].

Religião

Ver artigo principal: Religiões no Brasil

Sendo constitucionalmente um estado laico, o Brasil não possui religião oficial desde 1891, e a discriminação aos seguidores de qualquer religião é ilegal. Entretanto, a maior parte da população do país é, tradicionalmente, seguidora da Igreja Católica Apostólica Romana, e é inegável a influência de tal religião em vários momentos do passado e até mesmo do presente. Contudo, essa influência deve ser relativizada devido ao grande sincretismo religioso existente no país (apesar do Brasil ser considerado o maior país católico do mundo em números absolutos).

Ilê Axé Iya Nassô Oká/Casa Branca do Engenho Velho, considerado o terreiro de Candomblé mais antigo de Salvador (Bahia).
Ilê Axé Iya Nassô Oká/Casa Branca do Engenho Velho, considerado o terreiro de Candomblé mais antigo de Salvador (Bahia).

A predominância do catolicismo romano, tende a decrescer quando se leva em conta a recente ascensão do protestantismo e a importância histórica das religiões afro-brasileiras, o Candomblé e a Umbanda, na formação cultural e ética do povo brasileiro. Apesar de terem sido perseguidas até o começo do século XX, quando a prática religiosa não-católica era reprimida pela polícia. Além disso, é pertinente assinalar o surgimento de novas religiões de origem oriental ou esotérica, até então quase desconhecidas pela sociedade brasileira.

A estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
A estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro

O censo demográfico realizado em 2000, pelo IBGE, apontou a seguinte composição religiosa no Brasil[32]:

Economia

Ver artigo principal: Economia do Brasil
Crescimento anual do PIB
2000 4,3%
2001 1,3%
2002 2,7%
2003 1,1%
2004 5,7%
2005 3,2% (rev. pelo IBGE)
2006 3,7%
2007 5,4%
2008 4,9% (previsão FMI)
Fonte:[33]

O Brasil é a nona maior economia mundial de acordo com o Produto Interno Bruto calculado com base no método da paridade do poder de compra segundo o Fundo Monetário Internacional[34], sendo a maior da América Latina, no entanto com um PIB per capita inferior a alguns países dessa região (Argentina, Chile e Uruguai), e possuindo um IDH de 0,800, ocupando a 70ª posição mundial. O primeiro produto que moveu a economia do Brasil foi o açúcar, na capitania de Pernambuco, durante o período de colônia, seguindo pelo ouro na região de Minas Gerais. Já independente, um novo ciclo econômico surgiu, agora com o café. Esse momento foi fundamental para o desenvolvimento do estado de São Paulo, que acabou por tornar-se o mais rico do país.

Apesar de ter, ao longo da década de 1990, um salto qualitativo na produção de bens agrícolas, alcançando a liderança mundial em diversos produtos, com reformas comandadas pelo governo federal, a pauta de exportação brasileira foi diversificada, com uma enorme inclusão de bens de alto valor agregado como jóias, aviões, automóveis e peças de vestuário.

Atualmente o país está entre os 20 maiores exportadores do mundo, com US$ 142 bilhões (em Abril 2007) vendidos entre produtos e serviços a outros países. Mas com um crescimento de dois dígitos ao ano desde o governo Fernando Henrique, em poucos anos a expectativa é que o Brasil esteja entre as principais plataformas de exportação do mundo.

São Paulo, considerada o mais importante centro econômico do Brasil e de toda a América Latina.
São Paulo, considerada o mais importante centro econômico do Brasil e de toda a América Latina.

Em 2004 o Brasil começou a crescer, acompanhando a economia mundial. Isto deve-se a uma política adoptada pelo presidente Lula, no entanto, grande parte da imprensa reclama das altas taxas de juros adoptadas pelo governo. No final de 2004 o PIB cresceu 5,7%, a indústria cresceu na faixa de 8% e as exportações superaram todas as expectativas. Porém em 2005 a economia desacelerou, com um crescimento de 3,2%, sendo que em 2006 houve pequena melhoria, com um crescimento de 3,7%, muito abaixo da média mundial para países emergentes, de 6,5%. Em 2007, superando as expectativas dos especialistas, a economia se mostrou aquecida e voltou a crescer como em 2004, com crescimento previsto de 5,4%, após 4,5% inicialmente, tendo a indústria o maior crescimento. A taxa de investimento no Brasil situa-se em torno dos 17% do PIB, muito inferior ao índice de seus pares emergentes. Em 2006 o PIB atingiu R$ 2,322 trilhões (US$ 1,067 trilhão).

O Brasil é visto pelo mundo como um país com muito potencial assim como a Rússia, Índia e China, as economias BRICs. A política externa adotada pelo Brasil prioriza a aliança entre países subdesenvolvidos para negociar com os países ricos. O Brasil, assim como a Argentina e a Venezuela vêm mantendo o projeto da ALCA em discussão, conjuntamente com os Estados Unidos[carece de fontes?]. Existem também iniciativas de integração na América do Sul, cooperação na economia e nas áreas sociais.

Alguns especialistas em economia, como o analista Peter Gutmann, afirmam que em 2050 o Brasil poderá vir a atingir estatisticamente o padrão de vida verificado em 2005 nos países da Zona Euro[35].

Economia diversificada

O país responde por três quintos da produção industrial da economia sul-americana e participa de diversos blocos econômicos como: o Mercosul, o G-22 e o Grupo de Cairns. Seu desenvolvimento científico e tecnológico, aliado a um parque industrial diversificado e dinâmico, atrai empreendimentos externos. Os investimentos diretos foram em média da ordem de vinte bilhões de dólares por ano, contra dois bilhões por ano durante a década passada.

Embraer E-175 jato desenvolvido pela empresa brasileira Embraer.
Embraer E-175 jato desenvolvido pela empresa brasileira Embraer.

O Brasil comercializa regularmente com mais de uma centena de países, sendo que 74% dos bens exportados são manufacturas ou semimanufacturas. Os maiores parceiros são: União Européia (com 26% do saldo); Mercosul e América Latina (25%); Ásia (17%) e Estados Unidos (15%). Um setor dos mais dinâmicos nessa troca é o de agronegócio que mantém há duas décadas o Brasil entre os países com maior produtividade no campo.

Dono de sofisticação tecnológica, o país desenvolve submarinos a aeronaves e também está presente na pesquisa aeroespacial, possui Centro de Lançamento de Veículos Leves e foi o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipa de construção da Estação Espacial Internacional (ISS). Pioneiro na pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde extrai 73% de suas reservas, foi a primeira economia capitalista a reunir as dez maiores empresas montadoras de automóvel no seu território.

Fonte: Portal do Governo Brasileiro

Turismo

Ver artigo principal: Turismo no Brasil

O Brasil atraiu, em 2005, cerca de cinco milhões de turistas estrangeiros[36]. Da Argentina vieram 991 mil, dos Estados Unidos 792 mil e de Portugal 373 mil turistas, ocupando respectivamente os primeiro, segundo e terceiro lugares no ranking dos principais emissores de turistas para o Brasil. Os visitantes deixaram US$ 4 bilhões no país, tornando o turismo uma importante atividade econômica para o Brasil, gerando 678 mil novos empregos diretos.

O Rio de Janeiro é o maior centro turístico do país.
O Rio de Janeiro é o maior centro turístico do país.

Eventos em datas e locais específicos, como o Reveillon e o Carnaval do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, a Parada do Orgulho LGBT, o Carnaval e o Réveillon de São Paulo são os maiores chamarizes para turistas nacionais e estrangeiros.

Os estados mais visitados pelos turistas costumam ser o Rio de Janeiro (34,7%), Santa Catarina (25,1%), Paraná (20,3%), São Paulo (16%), e Bahia (15,5%). As cidades mais visitadas foram Rio de Janeiro (31,5%), Foz do Iguaçu (17%), São Paulo (13,6%), Florianópolis (12,1%), Salvador (11,5%) e Natal (9.3%). Espera-se que com políticas regionais de estímulo ao turismo esse fluxo seja diversificado, com o incremento do turismo ecológico, focado em regiões como a Amazônia e o Pantanal; o turismo histórico, com destaque para a Estrada Real de Minas Gerais; e o turismo cívico, em Brasília.

Transportes

Ver artigo principal: Transportes no Brasil

O sistema de transportes adotado no Brasil define-se basicamente por uma extensa matriz rodoviária, sendo também servido por um sistema limitado de transporte fluvial (apesar do numeroso sistema de bacias hidrográficas presentes no país), ferroviário e aéreo. O intuito de criar uma rede de transportes ligando todo o país nasceu com as democracias desenvolvimentistas, em especial as de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck. Àquela época, o símbolo da modernidade e do avanço em termos de transporte era o automóvel. Isso provocou uma especial atenção dos citados governantes na construção de estradas. Desde então, o Brasil tem sua malha viária baseada no transporte rodoviário.

Transporte aeroviário

O país sedia importantes aeroportos internacionais, sendo destino de uma série de rotas aéreas internacionais. Porém, empresas internacionais normalmente trabalham apenas com um número limitado de portos, o que faz com que o transporte dentro do país se faça através de uma série de escalas. A aviação brasileira cresceu muito nos últimos anos. Com o surgimento de novas companhias aéreas e a modernização das já existentes, foi possível aumentar o número de assentos disponíveis na malha aérea. A Gol lidera o ranking das empresas de baixo custo, podendo assim, repassar tarifas atraentes a todos os brasileiros. Com a competição entre as companhias foi possível melhorar o serviço e reduzir tarifas.

Transporte rodoviário

Apesar de ter as rodovias como principal forma de trânsito no âmbito nacional, estas não compreendem uma rede eficaz, segura e moderna. Grande parte das ligações interurbanas no país, mesmo em regiões de grande demanda, ainda se dão por estradas de terra ou estradas com pavimentação quase inexistente. Durante a época de chuvas, a maioria das estradas enche-se de buracos, sendo comuns, ainda que em menor quantidade, deslizamentos de terra e quedas de pontes, provocando muitas vezes prejuízos para o transporte de cargas bem como acidentes e mortes.

As rodovias do país que se encontram em boas condições (com poucas exceções) geralmente fazem parte de concessões à iniciativa privada, assim, embora apresentem extrema qualidade, estão sujeitas a pedágios. A Rodovia dos Bandeirantes e a Rodovia dos Imigrantes são exemplos deste sistema. O transporte rodoviário de passageiros do país compreende uma rede extensa e intrincada, sendo possíveis viagens que, devido à sua duração, em outros países, só são possíveis por via aérea.

Transporte ferroviário

A malha ferroviária brasileira possui uma extensão de 30.374km e está presente nas mais diversas regiões do País. A construção das linhas ocorreram em períodos diferentes, o que ocasionou a falta de padronização de bitolas (pode-se encontrar até três tamanhos de bitola: 0,60m, 1,00m e 1,60m) e consequente dificuldade na integração das vias. Até 1997, a malha brasileira era operada e mantida pela RFFSA - Rede Ferroviária Federal S/A, sociedade de economia mista integrante da Administração Indireta do Governo Federal, cujos serviços incluíam linhas regulares de passageiros e transporte de cargas. Com a desestatização da RFFSA, a malha foi divida em regiões e arrendada para exploração de Concessionárias privadas.

Atualmente as transportadoras de cargas ferroviárias são: ALL - América Latina Logística, MRS Logística, FCA - Ferrovia Centro-Atlântica, FTC -Ferrovia Teresa Cristina, EFVM - Estrada de Ferro Vitória a Minas, CFN – Companhia Ferroviária do Nordeste, FERROBAN – Ferrovias Bandeirantes, FERRONORTE - Ferrovias Norte do Brasil e EFC – Estrada de Ferro Carajás, que juntas transportam grandes volumes de minério, commodities agrícolas, combustível, papel, madeira, contêineres, entre outros.

A única linha de passageiros que ainda preserva serviços diários de longa distância com relativo conforto é a ligação Belo Horizonte-Vitória. Entretanto, ainda existem alguns serviços de interesse exclusivamente turístico em funcionamento, tais como as linhas Curitiba - Paranaguá e Bento Gonçalves - Carlos Barbosa.

Educação

Um conjunto residencial da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP).
Um conjunto residencial da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP).
O "Palácio Universitário", edificação em estilo neoclássico do século XIX, sedia o campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital fluminense.
O "Palácio Universitário", edificação em estilo neoclássico do século XIX, sedia o campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital fluminense.
Campus da Unicamp.
Campus da Unicamp.

O sistema de ensino público brasileiro foi o pior colocado em um estudo promovido pelo Banco Mundial a respeito das condições dos principais países emergentes para se inserirem na chamada "sociedade do conhecimento", estágio mais avançado do capitalismo.[carece de fontes?]

Em 26 de outubro de 2006, a Unesco publicou o relatório anual "Educação para Todos" colocou o país na 72º posição, em um ranking de 125 países. Com a velocidade de desenvolvimento atual, o país só atingiria o estágio presente de qualidade dos países mais avançados em 2036.

O grau de educacional da população brasileira é ínfimo perto dos outros países latino-americanos, bem como de outras economias emergentes. Enquanto que a escolaridade média do brasileiro é de 4,9 anos, a dos Argentinos é de 8,8 anos. O ensino médio completo no país atinge apenas 22% da população, contra 55% na Argentina e 82% na Coréia do Sul.[37]

De acordo com o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), o Brasil está sempre em último lugar em leitura, matemática e ciências.

Estudos da Fundação Getúlio Vargas afirmam que 35% das desigualdades sociais brasileiras podem ser explicadas pela desigualdade no ensino. Há hoje no Brasil mais de 97% crianças de sete a 17 anos matriculadas no ensino fundamental.[38]

Sistema de ensino

O sistema de ensino no Brasil é formado pela educação básica; educação infantil, nove anos de ensino fundamental (sete a quinze anos), três anos de ensino médio (dezesseis a dezoito anos) e ensino profissionalizante; e pelo ensino superior, de acordo com a Lei 9394/96.

O país apresenta um grande avanço em relação ao ensino fundamental, caminhando para a universalização. Em 2006, cerca de 97,2% das crianças entre sete e catorze anos freqüentavam a escola.[39] Entretanto, ainda há um grande déficit de qualidade neste ensino: segundo os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), em 2003, 22% dos alunos da quarta série (5° Ano) do ensino fundamental não desenvolveram competências elementares de leitura (ou seja, ainda estão em uma situação de semianalfabetismo)[40].

O ensino médio (quinze a dezessete anos) é faixa que se preparam os alunos para ingressarem no ensino superior. Entretanto, o ensino médio funciona como um divisor de águas social, promovendo as desigualdades em termos regionais e étnicos, as quais, mais tarde, refletem-se na desigualdade de renda entre os brasileiros.

A taxa de freqüência líquida (indicador que identifica o percentual da população em determinada faixa etária matriculada no nível de ensino adequado a essa faixa etária) cai, assim, para 81,7% no ensino médio[39]. Em um mundo altamente competitivo, parte da população é penalizada com a baixa escolaridade, condenada aos postos menos valorizados e mal remunerados. Ao mesmo tempo, esta mão de obra é desvalorizada pelas empresas, que preferem buscar trabalhadores mais qualificados em outros países, gerando desemprego e informalidade. Por outro lado, a taxa de freqüência bruta (total de matrículas de determinado nível de ensino com a população na faixa etária adequada a esse nível de ensino), é mais animadora, de 91,2%.[39]

A situação é agravada pela desigualdade do acesso ao ensino médio entre negros e brancos, e entre as regiões do país. Enquanto que no Sudeste a taxa de freqüência no ensino médio é de 85%, esta é de apenas 79,3% no Nordeste[39].

O ensino superior apresenta uma taxa de freqüência de apenas 9,8%. É nesta instância que se forma a camada mais importante para a independência de um país, responsável pela administração geral da nação e pelo desenvolvimento de pesquisas nas mais diversas áreas, as quais promovem o desenvolvimento da sociedade e das empresas, e dão as condições de competitividade externa. As desigualdades regionais e étnicas também são claramente visíveis neste nível. Enquanto que a taxa de freqüência é 13,7% na região Sul, no Nordeste esta é de apenas 5,1%. Da mesma forma, 15,5% dos brancos entre 18 e 24 anos freqüentam o ensino superior, contra apenas 3,8% dos negros e pardos.[carece de fontes?]

Esporte

Ver artigo principal: Esporte no Brasil

O futebol é o esporte mais importante no Brasil. A seleção brasileira de futebol é considerada a melhor do mundo detendo cinco vezes o título de campeão. Outros esportes também têm grande peso no país como o basquetebol, o voleibol, o atletismo, o futsal, esportes radicais, entre outros.

O Brasil já sediou vários eventos esportivos de larga escala: o país organizou a Copa do Mundo FIFA de 1950 e foi escolhido para sediar a de 2014. São Paulo organizou os Jogos Pan-americanos de 1963 e o Rio de Janeiro recebeu os de 2007. O Brasil tenta, atualmente, conseguir o direito de receber, pela primeira vez, os Jogos Olímpicos, com a candidatura do Rio de Janeiro para 2016.

Problemas sociais

Significativas violações de direitos humanos continuam a ocorrer no Brasil. A polícia é freqüentemente abusiva e corrupta, as condições das prisões são péssimas e a violência rural e os conflitos de terra são permanentes. Defensores de direitos humanos sofrem ameaças e ataques. O ano de 2006 foi marcado por embates violentos entre a polícia e grupos criminosos, além de uma série de rebeliões nas prisões brasileiras.

Embora o governo brasileiro tenha feito esforços para reparar as violações de direitos humanos, as punições continuam sendo esporádicas.

As áreas em azul têm uma alta incidência proporcional de homicídios. (Clique para ampliar)
As áreas em azul têm uma alta incidência proporcional de homicídios.
(Clique para ampliar)

Segundo dados oficiais, a polícia matou 538 pessoas no estado de São Paulo nos primeiros seis meses de 2006, um aumento de 87% em relação ao mesmo período de 2005. Os embates entre a polícia e membros do PCC causaram a morte de mais de 100 civis e cerca de 40 agentes de segurança no estado de São Paulo, de acordo com estimativas oficiais. A violência policial também foi comum no estado do Rio de Janeiro, onde a polícia matou 694 pessoas no primeiro semestre de 2007.[41]

A tortura também permanece como um problema relevante no Brasil. Relatórios apontam que um número preocupante de policiais e agentes penitenciários torturam pessoas sob sua custódia como forma de punição, intimidação e extorsão.

Estimativas indicam que entre 25 e 40 mil pessoas ainda estão submetidas à situação de trabalho escravo no Brasil. A Organização Internacional do Trabalho relatou em 2006 que a impunidade é um dos maiores obstáculos para erradicar essa prática do país. Um projeto de lei propondo a expropriação de terra pelo uso do trabalho escravo está em tramitação no Congresso desde 2001.[42]

Em relação ao trabalho infantil 151 mil novos casos foram relatados em 2006, o que implica um retrocesso em relação aos anos anteriores.[43]

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, em junho de 2006 a taxa de miséria baseada em renda de trabalho era de 18,57% da população, com queda de 19,8% nos 4 anos anteriores.[44] A taxa de miséria é parcialmente atribuída à desigualdade econômica do país, que de acordo com o Coeficiente de Gini, é uma das maiores do mundo.

A região com maior concentração de pobreza é o Nordeste, que possui áreas com grandes índices de miséria e desnutrição, devido a uma estrutura socioeconômica frágil e marcada pela desigualdade social, ocasionalmente agravada pelas secas periódicas da região, o que tem sido utilizado para fins eleitorais e politiqueiros, gerando a chamada indústria da seca. Contrariamente ao senso comum, dois dos Estados mais pobres da região não sofrem bastante com secas (Alagoas e Maranhão), e há cidades da zona úmida mais miseráveis que as do sertão semi-árido. A pobreza é também comum em todas as grandes cidades do país na forma de subúrbios e favelas, comunidades miseráveis das cidades grandes.

Cultura

Ver artigo principal: Cultura do Brasil
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá. >>>
Gonçalves Dias

Devido às suas dimensões continentais, o Brasil é um país com uma rica diversidade de culturas, que sintetizam as diversas etnias que formam o povo brasileiro. Por essa razão, não existe uma cultura brasileira homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. É notório que, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: são diferentes etnias, porém, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualidade lingüística e religiosa é um fato raro para um país imenso como o Brasil.

Brasileiros praticando capoeira.
Brasileiros praticando capoeira.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas de empréstimos à língua portuguesa. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor participação africana.

Quanto mais a sul do Brasil nos dirigimos, mais europeizada a cultura se torna. No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na culinária, na música, nos hábitos e na aparência física das pessoas. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada.

Arquitetura e patrimônio histórico

Ver artigo principal: Arquitetura do Brasil

O interesse oficial pela preservação do patrimônio histórico e artístico no Brasil começou com a instituição em 1934 da Inspetoria de Monumentos Nacionais. O órgão foi sucedido pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e hoje o setor é administrado nacionalmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que já possui mais de 20 mil edifícios tombados, 83 sítios e conjuntos urbanos, 12.517 sítios arqueológicos cadastrados, mais de um milhão de objetos arrolados, incluindo o acervo museológico, cerca de 250 mil volumes bibliográficos e vasta documentação arquivística [45]. Tradições imateriais como o samba de roda do Recôncavo Baiano e a arte gráfica e pintura corporal dos índios Wajapi do Amapá também já foram reconhecidas como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Também os estados e alguns municípios já possuem instâncias próprias de preservação e o interesse nesta área tem crescido nos últimos anos.

Igreja de São Francisco, em Ouro Preto.
Igreja de São Francisco, em Ouro Preto.

Mesmo com a intensa atividade dos órgãos oficiais, o patrimônio nacional ainda sofre freqüente depredação e tem sua proteção e sustentabilidade limitadas pela escassez de verbas e pela falta de consciência da população para com a riqueza de sua herança cultural e artística e para com a necessidade de um compartilhamento de responsabilidades para sua salvaguarda efetiva a longo prazo [46].

O patrimônio histórico brasileiro é um dos mais antigos da América, sendo especialmente rico em relíquias de arte e arquitetura barrocas, concentradas sobretudo no estado de Minas Gerais (Ouro Preto, Diamantina, São João del-Rei, Sabará, Congonhas, etc) e em centros históricos de Recife, São Luis, Salvador, Olinda, Santos, Paraty, entre outras cidades. Também possui nas grandes capitais numerosos e importantes edifícios de arquitetura eclética, da transição entre os séculos XIX e XX.

A partir de meados do século XX a construção de uma série de obras modernistas, criadas por um grupo liderado por Gregori Warchavchik, Lucio Costa e sobretudo Oscar Niemeyer, projetou a arquitetura brasileira internacionalmente. O movimento moderno culminou na realização de Brasília, o único conjunto urbanístico moderno do mundo reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Também há diversidade em sítios arqueológicos, como o encontrado no sul do estado do Piauí: serra da Capivara. Os problemas enfrentados pela maioria dos sítios arqueológicos brasileiros não afetam os mais de 600 sítios que estão no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Localizado em uma área de 130 mil hectares o Parque Nacional da Serra da Capivara é um exemplo de conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. Em 1991, foi consagrado patrimônio mundial pela Unesco.

A serra da Capivara é uma das áreas mais protegidas do Brasil, pois está sob a guarda do Iphan, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fundahm e do Ibama local, que tem poder de polícia. Nesta mesma área se localiza o Museu do Homem Americano, onde se encontra o mais velho fóssil humano encontrado na América e o segundo mais velho do mundo.

Culinária

Feijoada com diversos acompanhamentos: arroz, mandioca frita, torresmo, laranja, caipirinha, entre outros.
Feijoada com diversos acompanhamentos: arroz, mandioca frita, torresmo, laranja, caipirinha, entre outros.
Ver artigo principal: Culinária do Brasil

A culinária brasileira é fruto de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos. A refeição básica do brasileiro médio consiste em arroz, feijão e carne. O prato internacionalmente mais representativo do país é a feijoada. Os hábitos alimentares variam de região para região. No Nordeste há grande influência africana na culinária, com destaque para o acarajé, vatapá e molho de pimenta. No Norte há a influência indígena, no uso da mandioca e de peixes de água doce. No Sudeste há pratos diversos como o feijão tropeiro e angu, em Minas Gerais, e a pizza em São Paulo. No Sul do país há forte influência da culinária italiana, em pratos como a polenta, e também da culinária alemã. O churrasco é típico do Rio Grande do Sul.

Literatura

Prosa
Machado de Assis, um dos maiores escritores do Brasil.
Machado de Assis, um dos maiores escritores do Brasil.

O primeiro documento que pode ser chamado de Literatura Brasileira é a carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Manuel I de Portugal, em que o Brasil é descrito, em 1500. Nos próximos dois séculos, a literatura brasileira ficou resumida a descrições de viajantes e a textos religiosos. O neoclassicismo se expandiu no século XVIII na região das Minas Gerais.

Aproximadamente em 1836, o Romantismo afetou a Literatura Brasileira e nesse período, pela primeira vez, a literatura nacional tomou formas próprias, adquirindo características diferentes da literatura européia. O Romantismo brasileiro (possuindo uma temática indianista), teve como seu maior nome José de Alencar e exaltava as belezas naturais do Brasil e os indígenas brasileiros.

Após o Romantismo, o Realismo expandiu-se no país, principalmente pelas obras de Machado de Assis (fundador da Academia Brasileira de Letras). Entre 1895 e 1922, não houve estilos literários uniformes no Brasil, seguindo uma inércia mundial. A Semana da Arte de 1922 abriu novos caminhos para a literatura do país. Surgiram nomes como Oswald de Andrade e Jorge Amado. O século XX também assistiu ao surgimento de nomes como Guimarães Rosa e Clarice Lispector, os chamados "romancistas instrumentalistas", elencados entre os maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

Atualmente, o escritor Paulo Coelho (membro da Academia Brasileira de Letras) é o escritor brasileiro mais conhecido, alcançando a liderança de vendas no país e recordes pelo mundo. Apesar de seu sucesso comercial, críticos diversos consideram que produz uma literatura meramente comercial e de fácil digestão, e chegam a apontar diversos erros de português em suas obras, principalmente em seus primeiros livros. Outros autores contemporâneos são bem mais considerados pela crítica e possuem também sucesso comercial, como Ignácio de Loyolla Brandão, Rubem Fonseca e outros.

Poesia

A poesia brasileira, como toda a literatura nacional, também está dividida em vários movimentos literários.

O primeiro movimento é o Barroco, cujo principal poeta é Gregório de Matos, que chegaram aos dias atuais pela tradição oral, já que nunca publicou em vida. O marco inicial do barroco é o poema Prosopopéia, de Bento Teixeira, com estilo inspirado em Camões. Também dessa época é o primeiro livro impresso por um autor nascido no Brasil, Música do Parnaso, de Manuel Botelho de Oliveira.

A seguir, considera-se que inicia-se o arcadismo, que em Portugal tem em Bocage seu principal representante. No Brasil, poetas como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, criador de Marília de Dirceu e Alvarenga Peixoto.

Caricatura de Vinicius de Moraes.
Caricatura de Vinicius de Moraes.

Após o arcadismo vem a fase romântica, com pelo menos três gerações, contando com poemas que evocam o patriotismo, como Canção do Exílio de Gonçalves Dias, da primeira geração. Na segunda geração, poetas como Álvares de Azevedo apresentam uma certa obsessão pela morte. Na terceira geração aparece Castro Alves, um dos mais conceituados poetas brasileiros de todos os tempos, autor de Navio Negreiro. Era a época dos escritores abolicionistas.

Segue-se uma época de formalismo extremo, o parnasianismo, cuja estrela máxima é certamente Olavo Bilac. Esse movimento viria a diminuir em muito a influência do simbolismo, de Cruz e Sousa e Gilka Machado, uma das raras presenças femininas na literatura brasileiras antes até o século XX.

O parnasianismo viria a ser fortemente combatido pelos modernistas, causando grande polêmica que resultaria em um racha na cultura nacional. Os modernistas pregavam a destruição da estética anterior e praticamente assumem a liderança do movimento cultural brasileiro com a Semana de Arte Moderna em 1922. São poetas como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, líderes do movimento, e Manuel Bandeira, que se juntaria mais tarde. É o modernismo que domina a cultura brasileira do século XX, passando por mais duas gerações com poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meirelles, Murilo Mendes e Jorge de Lima na segunda geração e Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Carvalho da Silva e Lêdo Ivo na terceira.

O modernismo acabou levando ao concretismo, com poetas como Ferreira Gullar e Haroldo de Campos.

A poesia contemporânea apresenta nomes como Patativa do Assaré, Ana Cristina César, Adélia Prado entre outros.

Artes visuais

Ver artigo principal: Pintura do Brasil
Ver artigo principal: Escultura do Brasil
Victor Meirelles: A primeira missa no Brasil
Victor Meirelles: A primeira missa no Brasil
Aleijadinho: Senhor dos Passos, Santuário de Bom Jesus de Matosinhos
Aleijadinho: Senhor dos Passos, Santuário de Bom Jesus de Matosinhos

O Brasil tem uma grande herança no campo das artes visuais. Na pintura, desde o barroco se desenvolveu uma riquíssima tradição de decoração de igrejas que deixou exemplos na maior parte dos templos coloniais, com destaque para os localizados nos centros da Bahia, Pernambuco e sobretudo em Minas Gerais, onde a atuação de Mestre Ataíde foi um dos marcos deste período. No século XIX, com a fundação da Escola de Belas Artes, criou-se um núcleo acadêmico de pintura que formaria gerações de notáveis artistas, que se encontram até hoje entre os melhores de nossa história, como Victor Meirelles, Pedro Alexandrino, Pedro Américo, Rodolfo Amoedo e legião de outros. Com o advento do Modernismo no início do século XX, o Brasil acompanhou o movimento internacional de renovação das artes plásticas e criadores como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro, Guignard, Di Cavalcanti e Portinari determinaram os novos rumos da pintura nacional, que até os dias de hoje não cessou de se desenvolver e formar grandes mestres.

No campo da escultura, igualmente o barroco foi o momento fundador, deixando uma imensa produção de trabalhos de talha dourada nas igrejas e estatuária sacra, cujo coroamento é o ciclo de esculturas das Estações da Via Sacra e dos 12 profetas no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, obra de Aleijadinho. Experimentando um período de retraimento na primeira metade do século XIX, a escultura nacional só voltaria a brilhar nas últimas décadas do século, em torno da Academia Imperial de Belas Artes e através da atuação de Rodolfo Bernardelli. Desde lá o gênero vem florescendo sem mais interrupções pela mão de mestres do quilate de Victor Brecheret, um dos precursores da arte moderna brasileira, e depois dele Alfredo Ceschiatti, Bruno Giorgi, Franz Weissmann, Frans Krajcberg, Amilcar de Castro e uma série de outros, que têm levado a produção brasileira aos fóruns internacionais da arte.

Da metade do século XX em diante outras modalidades de artes visuais têm merecido a atenção dos artistas brasileiros, e nota-se um rápido e grande desenvolvimento na gravura, no desenho, na cerâmica artística, e nos processos mistos como instalações e performances, com resultados que se equiparam à melhor produção internacional.

Música

A música brasileira foi influenciada por ritmos portugueses, africanos e indígenas. Sobre a música dos ameríndios antes da colonização portuguesa pouco se sabe, pois os primeiros registros datam de 1568. A música do Brasil seria moldada pela herança trazida por colonos europeus e escravos africanos.

Música erudita
Padre José Maurício, o primeiro grande compositor nacional.
Padre José Maurício, o primeiro grande compositor nacional.

A música erudita brasileira, durante seu primeiro período, foi totalmente baseada na música européia, introduzida aqui pelos padres missionários que chegaram para evangelizar os índios. Com eles desevolveu-se uma cultura musical significativa no âmbito dos colégios e missões, com a inusitada e brilhante participação indígena em especial nos Sete Povos das Missões, estes então ainda sob posse da Espanha. À parte este singular fenômeno inter-étnico, a música erudita brasileira seguiu uma linha de dependência completa dos modelos europeus, tanto na teoria e ensino como na prática, mas sem uma Academia oficial e com recursos materiais e humanos bem mais modestos do que os encontrados na metrópole européia ou mesmo na contraparte espanhola da América colonial. Nossa música erudita só começou a deixar monumentos notáveis a partir do século XVIII, oriundos da região das Minas Gerais e nascidos em torno dos ciclos do ouro e dos diamantes, na chamada Escola Mineira. No cenário feérico das extraordinárias igrejas barrocas de Minas atuaram os primeiros grandes compositores autóctones, muitos deles mulatos, como João de Deus de Castro Lobo, José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, talvez o mais importante deste grupo, Manoel Dias de Oliveira, Francisco Gomes da Rocha, Marcos Coelho Neto (pai) e Marcos Coelho Neto (filho). Depois deles Minas cedeu sua primazia para o Rio de Janeiro, com a chegada da corte portuguesa e o esgotamento das jazidas que sustentaram o fausto de lá. Da produção mineira destaque-se a célebre Antífona de Nossa Senhora, de Lobo de Mesquita, a Novena de Nossa Senhora do Pilar de Gomes da Rocha, e a incomumente expressiva série de Motetos dos Passos, de compositor anônimo.

No Rio de Janeiro o estilo neoclássico, já perceptível na produção rococó e pré-clássica da Escola de Minas, ganhou respaldo oficial da corte, viu nascerem grandes teatros e a Capela Régia, e generalizou-se, acompanhando o século e as movimentações das metrópoles além-mar. Então aparece a figura do primeiro compositor brasileiro de mérito superior: o padre José Maurício Nunes Garcia, com grande repertório de música sacra e forte influência do classicismo vienense de Haydn e Mozart. De suas obras-primas se assinalam a Missa de Santa Cecília, o Officium de 1816 e os pungentes motetos a cappella das Matinas de Finados. Foi o maior, praticamente único e derradeiro neoclassicista no Brasil, e sua obra ainda é ouvida tanto em sua terra como no exterior.

Villa Lobos, o maior dos nacionalistas

A transição para o romantismo se deu com Francisco Manuel da Silva, discípulo do Padre José Maurício e sucessor de seu mestre na Capela. Apesar de ser compositor de escassos recursos, merece crédito por sua importante atividade organizadora, fundando o Conservatório de Música do Rio de Janeiro e sendo o regente do Teatro Lírico Fluminense e depois da Ópera Nacional. Também foi o autor do Hino Nacional Brasileiro. Os compositores do romantismo brasileiro eram influenciados pela escola italiana, e por isso se dedicaram principalmente à ópera. Elias Álvares Lobo escreveu a primeira ópera genuinamente brasileira, sob o título de "A Noite de São João". Porém, foi Carlos Gomes o maior expoente do romantismo brasileiro, adquirindo fama internacional com óperas em italiano e escritas em geral ao gosto do público europeu, muitas vezes incluindo temáticas brasileiras, como acontece nas óperas "Il Guarany" e "Lo Schiavo".

O modernismo foi, provavelmente, o período mais fecundo da música erudita brasileira. Subdividiram-se em duas escolas: os nacionalistas, representados principalmente por Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, e os vanguardistas, que seguiram a Segunda Escola de Viena, cujos maiores representantes foram Cláudio Santoro e Guerra Peixe, além de seu mentor o alemão Hans Joachim Koellreuter.

Posteriormente, passou a prevalecer o neotonalismo, cujos principais expoentes foram Osvaldo Lacerda, Ronaldo Miranda, Amaral Vieira e Edino Krieger, embora as tendências de vanguarda continuem se verificando fortemente nas obras de compositores como Edson Zampronha e Jorge Antunes. Outro compositor que tem tido destaque recentemente é o cearense Liduíno Pitombeira, cujas obras já foram executadas por orquestras como o Quinteto de Sopros da Filarmônica de Berlim, uma das melhores orquestras do mundo[47].

Vários intérpretes de música erudita brasileiros têm tido reconhecimento nacional e internacional, podendo-se citar os pianistas Nelson Freire, Guiomar Novais e Magda Tagliaferro, o violoncelista Antonio Meneses, o regente John Neschling e os cantores líricos Eliane Coelho, Aldo Baldin, João Gibin e, em especial, Bidu Sayão, renomada soprano lírica que foi considerada em 1945 a segunda cantora de ópera mais popular dos Estados Unidos.

Música popular

Provavelmente uma das músicas mais diversas em ritmos e influências, a música popular brasileira vive um movimento constante de mistura de ritmos já aceitos com aqueles que vêm importados do exterior, tanto pela classe alta ou baixa, que se misturam e muitas vezes permitem a criação de estilos genuinamente nacionais. Assim, o samba se criou a partir de ritmos africanos, o rock foi importado e nacionalizado de várias formas, o jazz influenciou a bossa-nova, o pop e, atualmente, a periferia traz o funk e o rap para música nacional.

Instrumentos populares no Brasil.
Instrumentos populares no Brasil.

Provavelmente o mais conhecido estilo musical brasileiro é o samba. Ele surgiu na Bahia, a partir da música trazida pelos escravos africanos. Tornou-se popular no Rio de Janeiro, onde ganhou novos contornos, instrumentos e histórico próprio, de forma tal que, como um gênero musical, apontam seu surgimento no início do século XX na cidade do Rio de Janeiro. O samba só se tornou popular com Chiquinha Gonzaga, que o consagrou no carnaval. A partir de então surgiram cantores como Carmem Miranda, Ary Barroso, Orlando Silva, que se tornaram populares entre os ouvintes da rádio brasileira.

A música regional também é muito presente em todo o território brasileiro. No Nordeste há ritmos como o frevo e o forró, com músicos consagrados nacionalmente como Luís Gonzaga e Dominguinhos. No Norte surgiu a lambada, que fez muito sucesso na década de 1980. No Rio Grande do Sul é tradicional a música gaúcha. Em alguns lugares, como os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, e interior de São Paulo, há o predomínio da música sertaneja (estilo musical autoproclamado herdeiro da "música" "caipira" e da moda de viola que se caracteriza pela melodia simples e melancólica).

Em 1922, a Semana de Arte Moderna revolucionou a música brasileira. Com Heitor Villa-Lobos, criou-se uma mescla de música folclórica brasileira com novas tendências. Na década de 1950 surgiu a bossa-nova, considerada por muitos uma forma brasileira do jazz norte-americano. A Bossa Nova foi criada baseada no jazz, porém com forte influência da música afro-brasileira, sendo seu maior nome Antônio Carlos Jobim.

O Tropicalismo se desenvolveu no fim dos anos 60, durante a Ditadura Militar, tendo sido um instrumento de protesto usado pelos artistas brasileiros contra os militares. Nesse período surgiram nomes como Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Sob o nome de Música Popular Brasileira (MPB), surgiu um momento novo na música nacional, em que diferentes estilos musicais passaram a ser cantados, como o rock, axé e música pop em geral. A MPB é uma espécie de "boa música nacional", o que causa ressentimento em alguns meios, que se consideram desprezados pela crítica.

Se da década de 1960 até a década de 1990 a Bossa Nova, MPB e o rock brasileiro tornaram a música brasileira mais elitista, desde meados da década de 1990 acontece um forte aumento da influência da música baiana, da música nordestina, em seus vários estilos, e da música "da periferia", como o funk e rap.

Outros

Brasileiros

Ver artigo principal: Brasileiros

O Brasil foi o berço de importantes personalidades conhecidas mundialmente. Como exemplos, podemos citar o inventor mineiro Santos Dumont e o arquiteto Oscar Niemeyer.

No meio científico, destacam-se Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e César Lattes.

O país é conhecido também como grande expoente de esportistas, sobretudo no futebol. Pelé é o exemplo mais conhecido. Os jogadores Ronaldo, Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho são bastante admirados por todo o mundo.

Getúlio Dornelles Vargas, 17º e 20º presidente do Brasil.
Getúlio Dornelles Vargas, 17º e 20º presidente do Brasil.

Na música, os exemplos mais conhecidos são Villa-Lobos e Tom Jobim, além da luso-brasileira Carmen Miranda, que trabalhou também como atriz de Hollywood. Caetano Veloso, Chico Buarque e, mais recentemente, Daniela Mercury e Ivete Sangalo, fazem sucesso em diversos países do mundo.

No mundo da moda, as modelos brasileiras têm se destacado, principalmente após o surgimento de Gisele Bündchen.

No cinema, temos o ator Rodrigo Santoro, juntamente com novelas e filmes nacionais, trabalhou internacionalmente em alguns filmes e na célebre série Lost[48]. Outro dos nossos brasileiros que estrelam fora é a atriz Alice Braga, fazendo filmes internacionais, inclusive co-estrelou ao lado de Will Smith em um filme de Hollywood I am Legend ( Eu sou a lenda, em português ) de ficção ciêntifica.

Na TV, temos grandes nomes reconhecidos em todo o mundo, como o apresentador e radialista Chacrinha, o animador e empresário Silvio Santos , os apresentadores Gugu Liberato, Fausto Silva, Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Raul Gil entre outros.

Na política, Getúlio Vargas é reconhecido como "O Maior dos Brasileiros", cuja participação política é fundamental no progresso e na história do país. Barão do Rio Branco também se marca pela extrema competência no campo da diplomacia.

Militantes históricos dos Direitos Humanos no Brasil são, por exemplo, Abdias Nascimento, do movimento negro, fundador do Teatro Experimental do Negro; Chico Mendes, ambientalista, entre muitos outros.

Os Heróis Nacionais são oficialmente reconhecidos quando os seus nomes são inscritos no Livro de Aço do Panteão da Pátria, também chamado Livro dos Heróis da Pátria, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Hinos


Armas Nacionais Hinos do Brasil Bandeira do Brasil

Hino Nacional do Brasil | Hino à Bandeira | Hino da Independência | Hino da Proclamação da República


Feriados

Feriados fixos
Data Nome Observações
1° de janeiro Confraternização Universal Início do ano civil
21 de abril Tiradentes

Fundação de Brasília

Em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira
1° de maio Dia do Trabalho Homenagem a todos os trabalhadores
7 de setembro Independência Proclamação da Independência de Portugal
12 de outubro Nossa Senhora Aparecida

Dia das crianças

Padroeira do Brasil
2 de novembro Finados Dia de memória aos mortos
15 de novembro Proclamação da República Transformação de Império em República
25 de dezembro Natal Celebração do nascimento de Cristo
Feriados móveis (Festas móveis do Cristianismo-Igreja Católica)
Data Observações
Carnaval Tradicional festa popular que precede a Quaresma católica; embora não seja um feriado nacional, o carnaval brasileiro é marcado pelo feriado na terça-feira anterior à quarta-feira de cinzas, porém tradicionalmente não há trabalho na segunda-feira anterior também, formando assim os 4 dias de carnaval.[49][50]
Sexta-feira santa Data cristã na qual a morte de Cristo é lembrada.
Corpus Christi Data em que a Igreja Católica comemora com Procissão Solene o Sacramento da Eucaristia, devido à impossibilidade de fazê-lo no dia de sua instituição, a Quinta-Feira Santa, uma vez que na Semana Santa não se recomendam manifestações de júbilo.
Círio de nazaré É sem sombra de dúvida umas das maiores manifestações religiosas do Brasil. Ela acontece em Belém do Pará, é realizadada no último domingo de outubro.
Dia de eleições
Data Observações
Eleições O primeiro turno, desde a edição da Lei nº 9.504/97, ocorre sempre no primeiro domingo do mês de outubro. Caso seja necessário um segundo turno, este ocorrerá no último domingo do mesmo mês. As eleições no Brasil ocorrem a cada quatro anos. Para os cargos de vereador e prefeito dos municípios, ocorrem nos anos bissextos. Para os cargos de deputado estadual, governador de estado, deputado federal, senador e presidente da república, ocorrem 2 anos após as eleições municipais.

Referências

  1. A língua oficial da República Federativa do Brasil é o português (Art. 13 da Constituição da República Federativa do Brasil).
  2. PNUD, Human Development Report 2007/2008, 27 de novembro de 2007
  3. Lei Nº 11.662, de 2008
  4. Mapa dos fusos horários com o horário de verão
  5. IBGE, IBGE divulga as estimativas populacionais dos municípios em 2008.
  6. IBGE, Área territorial oficial, Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02) de 10 de outubro de 2002.
  7. Segundo dados do World Economic Outlook Database (FMI), ou décima maior economia segundo estatísticas do CIA World Factbook, ambos em relação a paridade do poder de compra
  8. Brasil recupera posição de maior economia da América Latina. UOL (30/03/2006).
  9. Convenção sobre Diversidade Biológica. Implementação da CDB no Brasil. Acessado em 13 de dezembro de 2007.
  10. http://www.portuguesonline.com/argentina/home_polacion_port.htm
  11. A construção do Brasil. Editora Vera Cruz.
  12. 1824 — A Primeira Constituição Brasileira Constituição Política do Império do Brasil.
  13. Enciclopedia Encarta 2006
  14. http://www.secom.unb.br/unbagencia/ag0403-03.htm
  15. http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/proclamacaodarepublica.htm
  16. IBGE, Imigração no Brasil por nacionalidade.
  17. ROCHA, Sonia, Revista Brasileira de Estudos Populacionais - TEXTO PARA DISCUSSÃO Nº 439 RENDA E POBREZA: OS IMPACTOS DO PLANO REAL, Rio de Janeiro, dezembro de 1996, pág. 1. Disponível em [1]
  18. Constituição Federal de 1988, artigo primeiro
  19. População residente em 1º de julho de 2008: Publicação completa. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2008). Página visitada em 29 de agosto de 2008.
  20. Tabela 793 - População residente, em 1º de abril de 2007: Publicação Completa. Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA). Página visitada em 22 de maio de 2008.
  21. Piauí tem a temperatura mais alta em 96 anos, Terra, 26 de novembro de 2005.
  22. Sibéria brasileira no sul do Brasil, Fantástico, 18 de junho de 2006.
  23. [2]
  24. 24,0 24,1 PNAD (em Portuguese) (2006).
  25. [3]
  26. [4]
  27. [5]
  28. [6]
  29. Constituição Federal Brasilera, artigo 5º, XLII
  30. DW-World.de, O alemão lusitano do Sul do Brasil
  31. O talian.
  32. IBGE, População residente, por sexo e situação do domicílio, segundo a religião, Censo Demográfico 2000. Acessado em 13 de dezembro de 2007
  33. PIB revisado
  34. FMI, World Economic Outlook Database, April 2008, Produto interno bruto com base na paridade do poder de comprar. Acessado em 15 de maio de 2008.
  35. BBCBrasil.com, Brasil terá padrão de vida 'europeu' em 2050, diz estudo, visitado em 8 de fevereiro de 2007
  36. Brasil: seu melhor momento no turismo.
  37. Educação separa o Brasil do 12º PIB do Brasil do 63º IDH
  38. Revista ISTOÉ, 02/08/06, pg. 7
  39. 39,0 39,1 39,2 39,3 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Acessado em 13 de dezembro de 2007.
  40. INEP. Nível de leitura e matemática da maioria dos alunos é "crítico", 22 de abril de 2003.
  41. UOL Últimas Notícias. Polícia do Rio matou 694 pessoas no 1º semestre do ano, 19 de outubro de 2007.
  42. Tramitação do Projeto de ementa à constituição nº438 de 2001
  43. Agência Brasil. Relatório aponta 151 mil novos casos de trabalho infantil em um ano, 16 de Março de 2007.
  44. FGV - Miséria em queda
  45. Ministério da Cultura.
  46. ALMEIDA, Luiz Fernando de. O Brasil e os Desafios do Patrimônio. Portal do Ministério da Cultura, 13 de Janeiro de 2007.
  47. http://www.movimento.com/mostraconteudo.asp?mostra=3&codigo=2896
  48. Produtores de "Lost" escalam Rodrigo Santoro para terceira temporada Folha Online, visitado em 8 de fevereiro de 2007
  49. O que é carnaval?
  50. Carnaval

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